Brinquedos com IA no Brasil podem manipular emoções e coletar dados, alerta governo

Riscos em Brinquedos com Inteligência Artificial no Brasil
Brinquedos com inteligência artificial disponíveis no Brasil apresentam riscos significativos, como manipulação emocional e coleta de dados pessoais de crianças. A alerta é da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que emitiu uma nota técnica abordando tal preocupação.
Análise de Produtos Comerciais
O estudo realizado pela Sedigi avaliou seis dispositivos vendidos em marketplaces como Amazon, Mercado Livre e Shopee. Entre os produtos analisados estão:
- Loona (pet robótico)
- EMO (robô de companhia)
- Miko 3 (robô educativo)
- Aibi (pet robótico de bolso)
- Amazon Fire HD Kid Pro (tablet para crianças)
- Vector (robô autônomo)
Os brinquedos foram escolhidos devido à sua popularidade e ao uso de tecnologia avançada.
Manipulação Emocional Através da IA
A nota técnica destaca que muitos desses dispositivos possuem câmeras, microfones e sensores que conseguem capturar dados como biometria facial e padrões de voz. Além de manter diálogos e simular sentimentos, esses brinquedos coletam informações ao longo das interações. Essa dinâmica cria um vínculo emocional que pode levar à manipulação e ao uso excessivo do dispositivo.
A Sedigi ressalta que "os vínculos estabelecidos com a criança podem facilitar a manipulação emocional e potencialmente expor informações sensíveis a terceiros, especialmente em caso de falhas de segurança".
Casos Internacionais Preocupantes
Além das preocupações locais, a nota menciona casos internacionais que servem como alerta. Um exemplo notável é a boneca My Friend Cayla, que foi banida na Alemanha após ser identificado que ela podia gravar conversas e ser acessada por terceiros, levando à classificação de "instrumento de espionagem". O mesmo problema foi relatado com o robô Miko 3, que teve áudios de crianças vazados.
Responsabilidade das Plataformas de Comércio
O Ministério da Justiça enfatiza que as plataformas de e-commerce também têm um papel crucial na comercialização desses produtos. As lojas devem informar de maneira clara que os brinquedos utilizam inteligência artificial, além de garantir que embalagens e páginas de venda alertem sobre riscos à privacidade e a necessidade de supervisão parental.
A nota conclui que as evidências indicam possíveis irregularidades sistêmicas que podem afetar os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, o que sugere uma apuração formal.
Com informações de: G1



