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Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres amid escalada de feminicídios

Deputado Pede Investigação de Trend Violenta no TikTok

Uma nova trend no TikTok, que traz a frase “treinando caso ela diga não”, tem gerado preocupações quanto à sua influência e à normalização da violência contra mulheres. Os vídeos, que simulam reações violentas de homens após a rejeição de um pedido de namoro ou casamento, se tornaram virais e levantaram questões sobre o tratamento da misoginia nas redes sociais.

A Trend Polêmica e Suas Reações

Nos últimos meses, a trend tem atraído a atenção de muitos usuários. Criadores reproduzem situações de abordagem romântica seguidas de reações agressivas, que incluem simulações de socos e movimentos de luta. Um levantamento publicado pelo G1 analisou vídeos que acumulam mais de 175 mil interações na plataforma, revelando o capricho e a repetitividade que caracterizam o formato.

A repercussão foi tamanha que a Polícia Federal (PF) iniciou investigações sobre a série de vídeos que retratam violência contra mulheres. Após a crítica pública, o TikTok se manifestou, afirmando que esses conteúdos violam suas Diretrizes da Comunidade e foram removidos assim que identificados.

Contexto de Violência Contra Mulheres no Brasil

O crescimento dessa trend ocorre em um cenário alarmante. Em 2025, o Brasil registrou um recorde de feminicídios, contabilizando 1.470 mortes, superando os 1.464 casos do ano anterior. A média revela que quatro mulheres foram assassinadas por dia, enfatizando a gravidade da violência de gênero no país.

Expert Opina: O Impacto das Redes Sociais

Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, explica que a virilidade desses conteúdos nas plataformas está ligada ao engajamento que geram. Segundo ela, vídeos de violência têm maior probabilidade de alcançar viralização do que conteúdo educativo sobre os danos que esse tipo de comportamento provoca.

Ela observa ainda que, embora as plataformas proíbam conteúdos que promovam violência, a fiscalização se mostra falha, permitindo que tais vídeos permaneçam acessíveis ao público.

Casos de Violência Associados à Rejeição

Casos recentes de violência real corroboram a preocupação em torno desta trend. Uma jovem no Rio de Janeiro foi esfaqueada mais de quinze vezes por um homem que não aceitou a rejeição, enquanto outra mulher em Pernambuco foi atacada e teve seu corpo incendiado após recusar um ex-colega de trabalho. Tais incidentes ressaltam um padrão aterrador de reações violentas a não correspondências amorosas.

Reações ao Conteúdo Viral

Após a crescente crítica à trend, muitos vídeos deixaram de ser acessíveis or removidos pelos próprios criadores. A maioria dos autores aparenta ser jovem, e o conteúdo gerou reações divergentes nos comentários. Enquanto alguns reprovaram a normalização da violência contra mulheres, outros tentaram minimizar a gravidade da situação, compartilhando emojis de risada.

Medidas Legais e Moção de Investigação

Diante da gravidade dos vídeos, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) acionou o Ministério Público para investigar tais conteúdos que incitam a violência de gênero nas redes sociais. A parlamentar destacou que a viralização dessas postagens pode contribuir para a naturalização da misoginia, especialmente em um período próximo ao Dia Internacional da Mulher.

Além disso, um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a situação foi apresentado. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve votar a solicitação em breve.

A discussão em torno da trend “treinando caso ela diga não” expõe a necessidade urgente de mais fiscalização e educação nas redes sociais para proteger os direitos das mulheres e combater a cultura de violência.

Com informações de: G1

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