Redes sociais expõem usuários a níveis alarmantes de misoginia, revela pesquisa

Trend "Caso Ela Diga Não" Gera Inquérito Policial por Incitação à Violência
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) iniciou um inquérito para apurar a viralização da trend "Caso ela diga não", que promove a violência contra mulheres nas redes sociais. Os vídeos, que se tornaram populares no TikTok, mostram jovens simulando agressões em manequins que representam mulheres, como uma forma de reação a rejeições em pedidos de namoro.
TikTok Toma Medidas
A PF já solicitou a remoção dos conteúdos à plataforma, que respondeu afirmando que os vídeos violavam suas diretrizes. Recentemente, a conta do TikTok havia retirado as publicações após serem identificadas. Essa polêmica surge em um contexto de crescente violência contra mulheres, evidenciado por um recente caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro.
Caso de Estupro Coletivo Choca o País
Em fevereiro, uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido vítima de um estupro coletivo em um apartamento em Copacabana. A jovem havia sido convidada pelo ex-namorado e, ao recusar uma proposta de sexo, foi surpreendida por outros quatro rapazes. Imagens exibidas por um programa da TV Globo mostraram os acusados zombando da vítima após o crime. A Justiça já ordenou a prisão preventiva de quatro dos agressores, sendo um deles menor.
Cultura Misógina em Evidência
Um dos suspeitos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, compareceu à delegacia usando uma camiseta com a frase "regret nothing" (não me arrependo de nada), associada a grupos da "machosfera", que defendem a subjugação das mulheres. Pesquisadores alertam que esse tipo de conteúdo e atitude promove uma mudança preocupante nas crenças masculinas, com um estudo indicando que jovens da geração Z tendem a ter uma visão mais retrógrada sobre gênero, comparado aos seus pais.
Reação de Especialistas
Heejung Chung, professora do King’s College de Londres, afirma que as redes sociais têm grande impacto na radicalização das opiniões, pois influenciadores e figuras públicas alimentam sentimentos de vulnerabilidade entre homens. Penny East, da Sociedade Fawcett, concorda e revela que a exposição a conteúdos misóginos é alarmante, reforçando comportamentos que perpetuam a discriminação de gênero.
Mudanças Legais em Tramitação
Frente a esse cenário, proposições estão sendo apresentadas no Congresso Nacional para endurecer as medidas legais contra a misoginia. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) sugere a criminalização da misoginia e de conteúdos ligados à cultura "red pill". Enquanto isso, no Senado, entrará em pauta um projeto que visa incluir a misoginia na Lei do Racismo, considerando-a uma forma de discriminação.
A crescente prevalência de tais atitudes nas mídias sociais mostra que as discussões sobre igualdade de gênero ainda são urgentes e necessárias, à medida que novas gerações são influenciadas por essas narrativas.
Com informações de: G1.



