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Influencer utiliza IA para manipular imagens de jovens evangélicas; polícia investiga

Influenciador é Investigado por Manipulação de Imagens de Jovens Evangélicas Usando IA

A Polícia Civil de São Paulo investiga um influenciador digital acusado de utilizar inteligência artificial para alterar fotos de jovens evangélicas e inseri-las em vídeos com conteúdo sexualizado. O caso envolve Jefferson de Souza, conhecido como "Silvio Souza", que mantém um canal chamado "Humor do Crente" no YouTube, com mais de 11 mil inscritos. As denúncias surgiram após famílias de vítimas procurarem a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, em São Mateus.

Denúncias de Vítimas

Uma estudante de 16 anos foi uma das primeiras a relatar os ataques. Ela afirmou ter sua imagem manipulada em um vídeo, onde aparece ao lado de outras jovens, em poses provocativas. A foto original, tirada em um culto da Congregação Cristã do Brasil em 2025, mostrava a adolescente vestida de forma modesta, algo comum nos eventos da igreja.

“Ele pegou a minha foto sem autorização”, declarou a jovem ao g1. O vídeo, que usa músicas da CCB, inclui imagens de outras jovens vestindo roupas inadequadas, como minissaias, que não condizem com o ambiente da igreja.

A Técnica Deepfake

A técnica conhecida como deepfake emprega inteligência artificial para criar ou modificar imagens e vídeos, levando à distorção da realidade. Especialistas alertam que essa prática é utilizada para difamar e expor vulneráveis a situações de constrangimento.

Investigação em Curso

O inquérito foi inicialmente registrado sob a acusação de simulação de cena de sexo ou pornografia com menores de idade, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente. A pena prevista varia de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pelo caso, afirmou que está em busca de outras possíveis vítimas.

“As investigações sobre o uso de deepfake são complexas e têm como foco proteger as vítimas e responsabilizar os agressores”, disse a delegada.

Repercussões e Impacto Emocional

A família da jovem afetada expressou grande preocupação com as implicações emocionais que a exposição trouxe. A mãe da vítima relatou: “Senti que fui ferida ao mexer com a minha filha, e isso afeta não apenas ela, mas outras meninas”.

O advogado da família afirmou que ações judiciais estão em andamento para responsabilizar o influenciador.

O Que Dizem os Especialistas

Especialistas em direito digital afirmam que o uso de inteligência artificial não isenta o criador de responsabilidade. “Quem produz e divulga esse tipo de conteúdo é legalmente responsável”, afirmaram advogados consultados. Segundo a pesquisadora da ONG SaferNet Brasil, “casos de deepfake devem ser tratados com urgência, uma vez que a tecnologia avança rapidamente”.

Declarações do Influenciador

Jefferson De Souza, em depoimento à polícia, negou as acusações de ter vinculado a imagem da adolescente a qualquer conteúdo sexualizado. Em um vídeo nas redes sociais, ele pediu desculpas à sua audiência e destacou que seus conteúdos foram criados como críticas humorísticas à sua própria congregação.

Reação das Redes Sociais e da Igreja

As plataformas digitais, incluindo TikTok e YouTube, confirmaram que ações foram tomadas contra conteúdos que violam suas diretrizes. A Congregação Cristã do Brasil, por sua vez, manifestou que apoia ações legais contra qualquer forma de abuso e convocou as autoridades a tomarem as medidas necessárias.

Apesar de um pedido de desculpas, Jefferson não abordou diretamente as acusações de deepfake em suas declarações públicas, levantando questões sobre a responsabilidade no uso de imagens de terceiros.

Com informações de: G1

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