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TSE muda o jogo digital em 2026: Meta e X restringem alcance algorítmico de candidatos

Uma mudança nas regras de distribuição de conteúdo nas redes sociais está alterando a estratégia digital das campanhas nas eleições de 2026. Perfis oficiais de candidatos deixaram de contar com uma das principais ferramentas de crescimento orgânico dos últimos anos: a recomendação de suas publicações para usuários que ainda não seguem essas contas.

A medida decorre de uma resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2024 e vigente para as eleições deste ano. Na prática, candidatos continuam podendo publicar normalmente e alcançar seus seguidores, mas as plataformas devem impedir que seus perfis e conteúdos oficiais sejam distribuídos por sistemas de recomendação, salvo nas situações de impulsionamento eleitoral permitidas pela legislação.

Meta deixa de recomendar perfis oficiais de candidatos

A Meta confirmou que, após receber a relação das candidaturas e respectivas contas oficiais, deixou de recomendar perfis de candidatos no Facebook, Instagram e Threads.

A mudança atinge justamente um dos mecanismos responsáveis pela expansão de alcance nas redes sociais. Até então, um vídeo publicado por um candidato poderia começar entre seus seguidores e, caso apresentasse bom desempenho, ser recomendado pelo algoritmo para milhares ou até milhões de usuários que não acompanhavam aquele perfil.

Com a nova regra, essa possibilidade fica limitada para as contas oficiais cadastradas pelas candidaturas.

Isso não significa, porém, que as publicações estejam bloqueadas ou que conteúdos políticos tenham desaparecido das plataformas. Seguidores continuam recebendo publicações, usuários podem acessar diretamente os perfis e os conteúdos ainda podem circular por compartilhamentos, apoiadores, influenciadores, páginas de terceiros e veículos de comunicação.

Alcance orgânico pode ficar mais limitado nas eleições de 2026

Os primeiros dias da campanha eleitoral já apresentam sinais do impacto dessa mudança.

Segundo observações relatadas pelo especialista em comunicação política Marcello Natale, autor de análise publicada pelo Portal Upiara, algumas contas acompanhadas apresentaram retração superior a 80% na distribuição de conteúdo para pessoas que não eram seguidoras.

O próprio autor ressalta, entretanto, que os dados iniciais ainda não representam uma amostra nacional suficiente para estabelecer qual será a redução média de alcance durante toda a campanha eleitoral.

A mudança pode ser especialmente relevante para candidatos que construíram suas estratégias digitais apostando na viralização de Reels e outros conteúdos de grande alcance.

Ter muitos seguidores continua sendo uma vantagem, mas uma audiência numerosa não garante que o candidato consiga alcançar organicamente novos eleitores fora da própria base.

Tráfego pago ganha ainda mais importância nas campanhas

A nova dinâmica também tende a aumentar a importância da mídia paga nas campanhas.

A legislação eleitoral permite o impulsionamento de conteúdo dentro das regras estabelecidas pelo TSE. Dessa forma, enquanto a recomendação orgânica dos perfis oficiais fica limitada, candidatos continuam podendo utilizar anúncios para alcançar pessoas que ainda não acompanham suas páginas.

Na prática, o tráfego pago nas eleições de 2026 deixa de atuar apenas como ferramenta para ampliar conteúdos que já apresentam bom desempenho e pode assumir um papel ainda mais central na própria distribuição da comunicação eleitoral.

Com mais campanhas disputando a atenção dos mesmos públicos e territórios, também poderá haver aumento da concorrência nos leilões de publicidade das plataformas ao longo do período eleitoral.

WhatsApp, comunidades e apoiadores ganham força

A mudança também pode provocar uma valorização de estratégias de mobilização.

Se o algoritmo deixa de ser um dos principais responsáveis por apresentar o conteúdo oficial a novas pessoas, apoiadores, grupos, comunidades, influenciadores locais e aplicativos de mensagens passam a desempenhar papel ainda mais importante na circulação das mensagens.

WhatsApp, comunidades digitais e redes de apoiadores podem funcionar como canais capazes de levar conteúdos para além da audiência já conquistada pelo candidato.

O compartilhamento feito espontaneamente por eleitores também ganha relevância. Um conteúdo publicado por um perfil oficial pode ter sua recomendação limitada, mas continua podendo circular quando é compartilhado ou republicado por outras pessoas.

Campanhas terão de pensar em conteúdo e distribuição

A mudança coloca um novo desafio para as equipes de comunicação política: produzir um bom conteúdo pode não ser suficiente.

Além da criatividade, cada publicação passa a exigir uma estratégia clara de distribuição. Uma peça pode ser destinada aos seguidores atuais, receber investimento em mídia, circular pelo WhatsApp, ser distribuída por apoiadores ou ganhar alcance por meio de influenciadores e páginas externas.

A eleição de 2026, portanto, tende a consolidar uma mudança importante na comunicação política digital: ter audiência e ter capacidade de distribuição passam a ser coisas cada vez mais diferentes.

O candidato continuará podendo falar com seus seguidores. O desafio será encontrar novos caminhos para chegar a quem ainda não o conhece.

Com informações de: Portal Upiara / Marcello Natale

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