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Tráfico de animais e plantas cresce em plataformas digitais como Facebook e TikTok

Comércio Ilegal de Espécies Aumenta em Redes Sociais, Aponta Estudo

O tráfico ilegal de fauna e flora ganhou uma nova dimensão com a popularização das redes sociais. Um estudo recente, coordenado pelo professor Enrico Di Minin, da Universidade de Helsinque, revela como plataformas como Facebook, Instagram e TikTok se tornaram importantes canais para a venda de espécies ameaçadas.

Mercado em Expansão

De acordo com a pesquisa publicada na revista Nature Reviews Biodiversity, o comércio ilegal abrange uma ampla gama de espécies, incluindo primatas, aves e plantas. Durante um monitoramento de seis semanas, os pesquisadores identificaram mais de 1.600 anúncios de primatas em quatro redes sociais. No total, 33.006 exemplares de espécies protegidas pela Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) foram encontrados, com 54% sendo animais vivos.

Fatores que Facilitam o Tráfico

O estudo destaca vários fatores que favorecem o crescimento do tráfico online. A percepção baixa de risco, a fraca regulação das plataformas e o anonimato são elementos que permitiram a expansão desse mercado. Neil D’Cruze, coautor da pesquisa, observa que a natureza da internet possibilita operações rápidas e em escala muito maior em comparação com circuitos tradicionais.

Consequências do Tráfico Online

As implicações do tráfico de espécies vão além do comércio ilegal em si. Os pesquisadores alertam para o aumento do risco de espécies invasoras e a possibilidade de transmissão de doenças entre animais e humanos. A falta de dados e ferramentas para medir o volume real desse comércio dificulta a formulação de estratégias efetivas de combate.

O Papel da África nas Rotas do Comércio

A África é um exemplo claro das dinâmicas envolvidas nesse tráfico. De 2010 a 2021, cerca de 800 mil papagaios-cinzentos-africanos foram comercializados internacionalmente. Monitoramentos no Togo revelaram mais de 200 espécies diferentes à venda em contas de exportadores no Facebook. Além disso, na África do Sul, a crescente demanda por plantas suculentas levou a uma saturação do mercado ilegal, diminuindo os preços em até 99%.

Propostas para Combater o Tráfico

As soluções sugeridas pelos pesquisadores incluem o envolvimento das comunidades locais e a implementação de políticas que integrem tecnologia e fiscalização. Annette Hübschle, coautora do estudo, enfatiza que a tecnologia sozinha não é suficiente; é necessário um esforço colaborativo entre empresas de tecnologia, reguladores, ONGs e comunidades locais. A conclusão do professor Di Minin ressalta que, embora o problema seja complexo, ele não é insuperável e requer uma abordagem multifacetada.

Esse cenário exige uma resposta coordenada, considerando tanto a dimensão digital quanto as realidades locais para efetivamente combater o tráfico ilegal de espécies.

Com informações de: [G1]

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