OAB-SP pede reforma do Judiciário para tornar STF menos político

OAB-SP Propõe Reforma do Judiciário Focando na Atuação do STF
A seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) está desenvolvendo propostas para uma ampla reforma do Judiciário brasileiro, com enfoque especial na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Em fase de estudos, a comissão da entidade debate mudanças estruturais, destacando a necessidade de reduzir a competência criminal da alta Corte.
Protagonismo do STF em Questões Criminais
Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (1º), o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, criticou o protagonismo excessivo do STF na política e no sistema judiciário. Segundo Sica, o tribunal se tornou predominantemente um "tribunal penal", dedicando grande parte de seu tempo a julgamentos criminais, o que prejudica a análise de matérias constitucionais importantes.
Aproximação do STF com a Política
A OAB-SP expressa preocupação com o aumento de casos envolvendo autoridades públicas, que, segundo Sica, aproxima "perigosamente" o STF da classe política. A entidade defende a necessidade de um ajuste nas regras que regem essa relação, ressaltando que o papel fundamental do Supremo deve ser a defesa da Constituição. A sobrecarga de casos penais pode desviar o foco institucional do tribunal.
Críticas à Politização e ao Julgamento Virtual
Sica apontou exemplos de como a politização do tribunal pode ser prejudicial, citando a recente crise sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Após a derrubada de um decreto do Executivo pelo Congresso Nacional, a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que acionaria o STF, o que, segundo ele, não deveria ocorrer.
Além disso, a OAB-SP discute a eficácia do modelo de julgamentos virtuais adotado pelo STF, que, segundo Sica, compromete o direito à sustentação oral e à ampla defesa. Apesar do investimento em tecnologia, a percepção é de que a eficiência não melhorou.
Propostas em Debate
As propostas em discussão na OAB-SP serão debatídas internamente e podem ser levadas ao Congresso Nacional como sugestões formais de alterações legislativas. A meta é promover um Judiciário que funcione de forma mais técnica e menos política, buscando garantir a integridade e a independência do STF.
Com informações de: Revista Oeste.



