O trabalho oculto por trás do ChatGPT: menos emocionante do que parece

Livro Investiga a OpenAI: Sucesso Relacionado à Exploração de Recursos e Pessoas
Em entrevista à BBC News Brasil, a autora Karen Hao discute seu novo livro, Empire of AI, em que analisa as práticas da OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT. Ela sugere que o sucesso comercial da empresa está atrelado à exploração de recursos naturais e do trabalho humano, revelando uma rede de desigualdades estruturais.
Tecnologia que Encanta e Explora
A tecnologia por trás do ChatGPT é frequentemente vista como mágica, uma percepção alimentada por líderes da OpenAI, como o CEO Sam Altman. Entretanto, Hao argumenta que essa "mágica" esconde uma realidade mais sombria, marcada pela exploração dentro de complexas cadeias produtivas que atingem diretamente a vida de milhares de trabalhadores.
Impactos Fora do Vale do Silício
Hao conduziu aproximadamente 300 entrevistas, focando não apenas nos executivos, mas nas amargas consequências da criação de infraestrutura necessária para a tecnologia. Ela destaca a crescente demanda por data centers, que consomem grandes quantidades de água e energia, além de ressaltar o sofrimento de trabalhadores terceirizados expostos a conteúdos traumáticos.
Contratos Diretos e Indiretos
A investigadora menciona a contratação indireta de milhares de trabalhadores, que muitas vezes enfrentam condições precárias. Um caso emblemático é o de Mophat Okinyi, um queniano que revisava conteúdos para a OpenAI e que relatou traumas psicológicos devido à natureza do material que classificava. Apesar de sentir orgulho por contribuir para uma ferramenta que ele acredita ser útil, Okinyi se questiona se o que perdeu valeu a pena.
A Moderação de Conteúdo e suas Consequências
A moderação de conteúdo gerado por IA, segundo Hao, é complexa e não se equipara à moderação de redes sociais. Os trabalhadores filtram textos gerados artificialmente, o que aumenta a dificuldade de proteger os direitos desses profissionais. A autora observa que essa burocracia contribui para a opacidade das operações, distanciando as empresas de suas responsabilidades diretas.
Data Centers: Uma Nova Forma de Colonialismo?
Hao também discute o crescimento de data centers em comunidades vulneráveis, onde há uma demanda crescente por serviços digitais. Ela critica a maneira como governos, principalmente do Sul Global, buscam investimentos, muitas vezes à custa de seus recursos naturais. Um exemplo fornecido pela autora é a oposição de ativistas chilenos à construção de um data center que consumiria vastas quantidades de água em uma região já afetada por secas.
Resistência e Regulação da IA
Por fim, Hao acredita que a inteligência artificial não é um destino inevitável, mas uma escolha da sociedade. Movimentos globais têm surgido para reivindicar propriedade intelectual e resistir à expansão descontrolada de tecnologias. Ela incentiva críticos e cidadãos a participar ativamente na discussão sobre o futuro da IA, propondo que empresas de tecnologia devem se alinhar aos interesses coletivos.
Com informações de: BBC News Brasil.



