Tecnologia

Fintechs na Faria Lima: como se tornaram alvo para lavagem de dinheiro?

Fluxo Oculto: Fintechs Movimentam R$ 26 Bilhões em Esquema de Lavagem de Dinheiro

Uma nova operação da Receita Federal, denominada Fluxo Oculto, revelou que organizações criminosas continuaram a lavagem de dinheiro no setor financeiro de São Paulo, mesmo após a deflagração da operação anterior, Carbono Oculto. Nove meses depois da primeira ação, a nova fase mirou seis fintechs e quatro fundos de investimento que movimentaram R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Esse esquema de corrupção inclui a adulteração de combustíveis e o uso de empresas de fachada.

O Papel das Fintechs no Crime Organizado

De acordo com investigações, as fintechs funcionavam como "bancos paralelos", introduzindo recursos ilícitos no sistema financeiro. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou que as fintechs tornaram-se a "porta de entrada" para o dinheiro sujo, permitindo que operações de difícil rastreamento fossem realizadas sem a supervisão tradicional dos bancos.

“Essas instituições operavam como elos no esquema, facilitando a ocultação de patrimônio e a movimentação internacional de recursos”, afirmou Barreirinhas. O processo envolvia investimentos em fundos que dificultavam o rastreamento das origens do dinheiro, mais complexos que simples transferências bancárias.

Autoridades em Alerta

O Ministério Público de São Paulo e outras agências reguladoras estão cientes do crescente envolvimento das fintechs com grupos criminosos, como o PCC. O promotor João Paulo Gabriel destacou que não apenas uma, mas várias organizações têm utilizado as mesmas estruturas financeiras. “Estamos vendo um fenômeno de convergências criminosas”, alertou.

Mudanças Regulatórias e Ações da Receita Federal

Em resposta às irregularidades, a Receita Federal implementou uma norma que equipara o tratamento das fintechs ao dos bancos, exigindo informações detalhadas sobre movimentações financeiras. Essa mudança visa aumentar o controle e a transparência, especialmente após a “fake news do Pix” que atrasou a implementação inicial da norma.

Ainda assim, preocupa o fato de que apenas três das seis fintechs alvo da operação enviavam dados ao Fisco, evidenciando falhas de fiscalização.

Efeitos da Classificação como Organizações Terroristas

A recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode ter consequências significativas para o mercado financeiro brasileiro. Especialistas alertam que isso poderia acarretar sanções financeiras e maiores riscos regulatórios para empresas brasileiras que mantêm relações com os EUA.

Pedro Henrique Rezende, especialista em compliance, recomenda que as empresas analisam minuciosamente suas relações comerciais para evitar punições. Por outro lado, Juliana Facklmann, professora do Insper, acredita que empresas já em conformidade não devem enfrentar grandes alterações na sua operação.

Conclusão

A operação Fluxo Oculto revela a complexidade e a profundidade do envolvimento do crime organizado no setor financeiro. As fintechs, com suas regulamentações mais brandas, têm sido exploradas por organizações criminosas, levantando um alerta sobre a necessidade de maior rigor na fiscalização e implementação de medidas que previnam a lavagem de dinheiro.

Com informações de: G1.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Descrição da campanha ou anunciante