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Evangélica de 16 anos denuncia influencer que sexualizou sua imagem com IA

Influenciador é Investigado por Manipulação de Imagens de Jovens Evangélicas com Inteligência Artificial

Um influenciador digital está sob investigação na Polícia Civil de São Paulo por manipular imagens de jovens evangélicas, utilizando técnicas de inteligência artificial (IA) para sexualizá-las. A denúncia foi feita por uma adolescente de 16 anos, que teve sua foto utilizada sem autorização.

Investigação em Andamento

Jefferson de Souza, conhecido por seus vídeos nas redes sociais, é acusado de inserir fotos de várias jovens da Congregação Cristã do Brasil (CCB) em montagens de conteúdo sexual. Segundo relatos da adolescente, suas imagens foram manipuladas utilizando a tecnologia conhecida como deepfake, que permite a criação de vídeos que distorcem a realidade de forma enganosa.

A jovem relatou ao G1 que ficou profundamente incomodada ao ver sua imagem em vídeos que criticavam as vestimentas das fiéis nas igrejas, inadequadamente sexualizados. A polícia investiga se Jefferson cometeu crimes sob o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê pena de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa.

Impacto na Vida das Vítimas

A adolescente mencionou que, após o ocorrido, se tornou mais reclusa e decidiu não tirar mais fotografias. Em depoimento, ela destacou que a fotografia usada na montagem foi tirada em um momento de fé na igreja, e que nunca autorizou o uso de sua imagem. A situação gera preocupação não apenas para a jovem, mas também para sua família, que está atuando judicialmente em busca de indenização por danos morais.

“Minha filha foi ferida, e isso não afeta apenas ela, mas outras meninas também”, afirmou a mãe da adolescente, ressaltando o impacto psicológico da situação.

Ações Legais e Repercussões

A investigação começou quando a jovem e seus pais procuraram a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, relatando como suas imagens foram alteradas e utilizadas em contextos inapropriados. A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pelo caso, afirmou que o alcance da repercussão é preocupante e pediu a outras jovens que possam ter sido expostas a se apresentarem à delegacia.

“Estamos lidando com um caso de deepfake que envolve menores. A internet não é uma terra sem lei”, destacou a delegada.

Resposta do Influenciador

Jefferson de Souza, em resposta à investigação, negou as acusações durante depoimentos e postou vídeos pedindo desculpas a fiéis da CCB, mas não se referiu especificamente às manipulações de imagens. Ele se apresentou como um humorista e afirmou que sua intenção era apenas fazer paródias relacionadas à vida dentro da igreja.

Implicações Legais e Sociais

Especialistas alertam que o caso pode ser um reflexo de práticas cada vez mais comuns no uso de IA para criar conteúdo pornográfico ou de assédio. A pesquisadora Laura Hauser, da PUC-SP, destacou que a responsabilidade recai sobre o criador do conteúdo, e não sobre as vítimas.

"O foco deve ser na educação e mudanças de políticas públicas para proteger as vítimas desse tipo de violência", concluiu.

A Congregação Cristã do Brasil apoia a adoção de medidas legais pertinentes e afirmou em nota que lamenta a situação vivida pelas jovens.

Com informações de: G1

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