Câmeras com IA podem prever crimes, mas levantam preocupações sobre privacidade

Sistemas de Câmeras com Inteligência Artificial Prometem Prevenir Crimes
Policiamento Preditivo em Ascensão
A utilização de câmeras de monitoramento ganhou um novo aliado com a implementação de sistemas de inteligência artificial, que visam antecipar crimes antes que aconteçam. Este tipo de tecnologia, chamado de policiamento preditivo, tem se mostrado cada vez mais eficaz na identificação de comportamentos suspeitos e na prevenção de delitos.
Funcionamento do Sistema
Os novos sistemas conectam-se a câmeras instaladas em diversos locais e analisam imagens em tempo real. "O sistema transforma a imagem em metadados e reconhece padrões. Quando há alteração em um padrão habitual, um alerta é emitido", explica Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, empresa especializada em segurança. Essas ferramentas identificam, por exemplo, quando uma pessoa permanece em um determinado local por tempo excessivo.
Uma vez emitido o alerta, as imagens são revisadas por profissionais responsáveis pela segurança, que decidem as ações a serem tomadas, como acionar a polícia ou uma equipe de segurança privada. A NoLeak, que já possui mais de 5.000 câmeras em operação, afirma que essa tecnologia permite monitorar um maior número de pontos com menos pessoal, reduzindo o cansaço visual dos operadores.
Cautelas e Críticas ao Uso de IA
Apesar das vantagens, a implementação desses sistemas gera preocupação entre especialistas. Para Fernanda Rodrigues, coordenadora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS-BH), a falta de regulamentação e a possibilidade de um estado de vigilância constante sobre cidadãos comuns são fatores alarmantes. "Ainda que o sistema vise capturar criminosos, ele pode cometer erros e levar à vigilância indevida de pessoas que nada mais estão fazendo", alerta.
Tecnologia em Desenvolvimento
Os sistemas de policiamento preditivo utilizam aprendizado de máquina para reconhecer padrões em grandes volumes de imagens. Em geral, eles são treinados com dados de comportamentos normais antes de serem ativados para emitir alarmes sobre anomalias. Entretanto, Ramalho ressalta que o sistema não avalia características faciais, mas sim a movimentação das pessoas, visando distinguir entre comportamentos adequados e suspeitos.
Transparência e Eficiência
A falta de transparência nos sistemas de policiamento preditivo é uma preocupação expressa por especialistas. Fernanda Rodrigues destaca que a efetividade dessas tecnologias precisa ser avaliada por estudos independentes para evitar preconceitos e garantir a precisão. Em experiências anteriores, como no caso do PredPol nos Estados Unidos, houve aumento de abordagens indevidas em comunidades de baixa renda, evidenciando os riscos associados ao uso de dados selecionados de forma inadequada.
Legislação Atual no Brasil
Atualmente, o Brasil carece de uma legislação específica que regulamente o uso de tecnologias de policiamento preditivo. Embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) imponha algumas diretrizes sobre o tratamento de dados sensíveis, não há regras claras para a aplicação prática dessas ferramentas. Uma proposta de lei, atualmente no Congresso, pode classificar os sistemas de inteligência artificial utilizados na segurança como de alto risco, exigindo supervisão humana e avaliações de impacto.
Com informações de: G1.



