Inteligência Artificial Avança no Diagnóstico de Transtornos Mentais
Estudo de Francisco Rodrigues
O uso de métodos baseados em inteligência artificial (IA) para diagnosticar transtornos mentais apresenta resultados promissores, segundo pesquisa liderada por Francisco Rodrigues, professor da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, que demonstra alta precisão no reconhecimento de condições como esquizofrenia, autismo e epilepsia, é um marco na área da psiquiatria.
Elevada Taxa de Precisão
Em experimentos realizados em laboratório, foram utilizadas imagens de ressonância magnética para treinar algoritmos que conseguem identificar transtornos mentais com mais de 90% de acerto. Rodrigues destaca que a pesquisa permite entender quais regiões do cérebro são alteradas em diferentes condições, contribuindo para um diagnóstico mais preciso.
Promessa para o Diagnóstico
A pesquisa, que já resultou em publicações nas revistas científicas Nature e PLOS One, visa facilitar o trabalho de psicólogos e psiquiatras, especialmente na identificação de sintomas que podem ser confundidos. Rodrigues afirma que "hoje, o psiquiatra não consegue prever se um paciente desenvolverá esquizofrenia em dez anos", destacando a importância desse avanço.
Contexto no Brasil
Dados do Censo de 2022 revelam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA), 1,6 milhão com esquizofrenia e 1,7 milhão com demência, como Alzheimer e Parkinson. O diagnóstico atual, baseado na análise de histórico e testes, carece de marcos objetivos, como ocorre em condições físicas, destacando a necessidade de métodos inovadores.
Desafios na Coleta de Dados
Os testes realizados em São Paulo se apoiam em tecnologias como ressonância magnética e eletroencefalograma (EEG), mas a coleta de dados é um desafio. Rodrigues alerta que "os EEG podem ser imprecisos e as ressonâncias são difíceis de produzir", limitando, assim, o número de participantes nos estudos.
Colaboração Internacional e Novas Abordagens
Rodrigues recebeu o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da Fundação Alexander von Humboldt, que incentivará sua colaboração com pesquisadores da Alemanha. Ele busca dados utilizando minicérebros, que são modelos experimentais criados a partir de células do córtex cerebral. A intenção é testar intervenções, como medicamentos, para observar suas influências nas redes neurais simuladas.
Futuro da Pesquisa
Com um histórico de colaboração acadêmica na Alemanha que começou em 2006, Rodrigues retornará ao país no próximo ano para aprofundar suas investigações e oferecer cursos sobre sistemas complexos e aprendizado de máquina. A expectativa é que um método geral de diagnóstico esteja disponível em até dez anos, uma vez que os protocolos de coleta de dados e a regulamentação pela Anvisa ainda precisam ser concluídos.
Com informações de: G1.
